Níveis persistentemente elevados de desigualdade perpetuam a incerteza e a insegurança entre as pessoas, reforçando divisões e minando a confiança nas instituições e no governo.
Em matéria de marxismo, a ortodoxia se refere antes e exclusivamente a um método[67].
A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. E justamente quando parecem empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu, precisamente nesses períodos de crise revolucionária, os homens conjuram ansiosamente em seu auxilio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado os nomes, os gritos de guerra e as roupagens, a fim de apresentar e nessa linguagem emprestada[71].
O meu estudo universitário foi o da jurisprudência, o qual no entanto só prossegui como disciplina subordinada a par de filosofia e história. No ano de 1842-43, como redactor da Rheinische Zeitung, vi-me pela primeira vez, perplexo, perante a dificuldade de ter também de dizer alguma coisa sobre o que se designa por interesses materiais. Os debates do Landtag Renano sobre roubo de lenha e parcelamento da propriedade fundiária, a polémica oficial que Herr von Schaper, então Oberprásident da província renana, abriu com a Rheinische Zeitung sobre a situação dos camponeses do Mosela, por fim as discussões sobre livre-cambismo e tarifas alfandegárias proteccionistas deram-me os primeiros motivos para que me ocupasse com questões económicas[75].
… o ‘sistema’ do Senhor Dühring, de que este livro é uma crítica, estende-se a domínios teóricos muito vastos: tive de segui-lo por toda Parte e opor às suas concepções as minhas. Assim, a crítica negativa resultou positiva; a polêmica transformou-se em exposição mais ou menos coerente do método dialético e da ideologia comunista defendida por Marx e por mim, numa série de domínios bastante vastos …… Uma observação de passagem: tendo sido criada por Marx, e em menor escala por mim, a concepção exposta neste livro, não conviria que eu a publicasse à revelia do meu amigo. Li-lhe o manuscrito inteiro antes da impressão; e o décimo capítulo da Parte segunda, consagrada à economia política (Sobre a história crítica) foi escrito por Marx. Infelizmente, eu o tive de resumir por motivos extrínsecos. Era, aliás, hábito nosso ajudarmo-nos mutuamente na especialização de cada um[41].
Uma concepção de mundo abrange a totalidade das opiniões e concepções de um indivíduo ou sociedade sobre o mundo, sobre nós mesmos como seres humanos e sobre a vida e a posição dos seres humanos no mundo[84].
O Materialismo Dialético é uma compreensão científica da matéria, da consciência e da relação entre ambas. Ele é usado para entender o mundo através do estudo dessas relações.A Dialética Materialista é uma ciência que estuda as leis gerais do movimento, da mudança e do desenvolvimento da natureza, da sociedade e do pensamento humano[84].
A tarefa da filosofia (que depois será também alvo de crítica de Marx e será substituída por teoria, entre outros termos ocasionais, como “socialismo científico”, “ciência” e, após ele, será chamado marxismo ou teoria)...[78]
Gramsci, nos Cadernos do Cárcere, nos diz que é necessário entender que a filosofia da práxis nasceu de “aforismos critérios práticos por um mero acaso” e nos explica que Marx dedicou sua força intelectual de forma sistemática a outros problemas, principalmente de natureza econômica. Sua concepção de mundo aparece então apenas de forma implícita nestes aforismos.Uma das causas do erro pelo qual se vai em busca de uma filosofia geral que esteja na base da filosofia da práxis e se nega implicitamente a esta uma originalidade de conteúdo e de método parece que reside no seguinte: que se faz confusão entre a cultura filosófica pessoal do fundador da filosofia da práxis, ou seja, entre as correntes filosóficas e os grandes filósofos pelos quais ele se interessou fortemente em sua juventude e cuja linguagem reproduz frequentemente…e as origens ou as partes constitutivas da filosofia da práxis… os elementos de spinozismo, de feuerbachismo, de hegelismo, de materialismo francês etc. não são de modo algum partes essenciais da filosofia da práxis[53].
Logo que descobrirmos – e afinal de contas ninguém mais do que Hegel nos ajudou a descobri-lo – que, assim colocada, a tarefa da filosofia se reduz a pretender que um filósofo isolado realize aquilo que somente a humanidade em seu conjunto poderá realizar, em seu desenvolvimento progressivo – assim que descobrirmos isso a filosofia, no sentido tradicional da palavra, chega a seu fim. Já não interessa a “verdade absoluta”, inatingível por este caminho e inacessível ao único indivíduo, e o que se procura são as verdades relativas, adquiridas através das ciências positivas e da generalização de seus resultados por meio do pensamento dialético. A filosofia, em seu conjunto, termina com Hegel; por um lado, porque em seu sistema se resume, da maneira mais grandiosa, todo o desenvolvimento filosófico; por outro lado, porque este filósofo nos indica, ainda que inconscientemente, a saída desse labirinto dos sistemas para o conhecimento positivo e real do mundo.…Esta interpretação põe fim à filosofia no campo da história, exatamente da mesma forma que a concepção dialética da natureza torna a filosofia da natureza tão desnecessária quanto impossível. Agora, já não se trata de tirar do cérebro as conexões entre as coisas, mas de descobri-las nos próprios fatos. Expulsa da natureza e da história, só resta à filosofia um único refúgio: o reino do pensamento puro, no que dele ainda está de pé: a doutrina das leis do próprio processo do pensamento, a lógica e a dialética[42].
É preciso “deixar a filosofia de lado”, é preciso desembarcar dela e dedicar-se como um homem comum ao estudo da realidade, tarefa para a qual existe uma gigantesca quantidade de material literário … A relação entre filosofia e estudo do mundo real corresponde à relação entre onanismo e amor sexual[79].
Taimur, você certamente é um palestrante muito bom e claro, mas não acho que a palestra tenha me tornado mais simpático à ideia de estudantes contemporâneos estudarem Hegel. Longe de ser uma ajuda, creio que seria um obstáculo ao seu desenvolvimento intelectual.…Temos tantas ferramentas para analisar o mundo, desenvolvidas nos últimos 200 anos, que retroceder à década de 1820 seria um terrível passo retrógrado[29].
Confessei-me, portanto, abertamente discípulo daquele grande pensador e coqueteei mesmo aqui e ali no capítulo sobre a teoria do valor com o modo de expressão que lhe é peculiar[76].
… e se o Sr. Most falhou em notar que há muito a ser aprendido com as exposições positivas de Engels [no “Anti-Dühring”], não apenas por trabalhadores comuns e até mesmo ex-trabalhadores como ele, que se supõem capazes de conhecer tudo e se pronunciar sobre tudo no menor tempo possível, mas até mesmo por pessoas cientificamente educadas, então eu só posso ter pena dele por sua falta de julgamento[74].
se denomina dialética apenas um método determinado de pensamento, uma maneira determinada de se apresentar [darstellen] a coisa [Sache] - tal como Marx designou, numa ocasião talvez não exatamente feliz[1]
Adorno se refere aqui manifestamente a uma passagem no posfácio de Karl Marx à segunda edição de O capital, a qual conduziu a uma torrente de interpretações conflitantes com respeito ao significado e alcance da dialética em Marx... Marx defende aqui seu "método dialético" contra seus críticos, diferenciando o "modo de apresentação" do "modo de investigação". Isso conduziu à questão de se, segundo a compreensão marxiana, dialética seria apenas uma forma de apresentação científica de um assunto (Sache), ou se (também) seria a lei histórica e, correlativamente, genética da própria coisa apresentada[1].
É preciso,portanto, demonstrar preliminarmente que todos os homens são “filósofos”, definindo os limites e as características desta “filosofia espontânea”, própria de “todo o mundo”, isto é, da filosofia que está contida: 1) na própria linguagem, que é um conjunto de noções e de conceitos determinados e não, apenas, de palavras gramaticalmente vazias de conteúdo; 2) no senso comum e no bom senso; 3) na religião popular e, portanto, também em todo o sistema de crenças, superstições, opiniões, modos de ver e de agir que se descortinam naquilo que geralmente se chama de “folclore”[53].
Por toda a parte, não se trata mais de congeminar conexões na cabeça, mas de as descobrir nos factos. Para a filosofia desalojada da Natureza e da história, fica ainda então apenas o reino do pensamento puro, na medida em que ainda resta: a doutrina das leis do próprio processo do pensar, a lógica e dialéctica[42].
Assim que compreendermos — e, em definitivo, ninguém nos ajudou mais a essa compreensão do que o próprio Hegel — que a tarefa da filosofia, colocada dessa maneira, não significa senão a tarefa de que um filósofo singular deve realizar aquilo que só a humanidade inteira no seu desenvolvimento progressivo pode realizar — assim que compreendermos isto, estará também no fim toda a filosofia no sentido da palavra até aqui. Abandona-se a «verdade absoluta», inalcançável por esta via e por cada um individualmente, e, em troca, perseguimos as verdades relativas alcançáveis pela via das ciências positivas e do compêndio dos seus resultados por intermédio do pensar dialéctico. Com Hegel, rematà-se, em geral, a filosofia; por um lado, porque ele reuniu todo o desenvolvimento dela no seu sistema, da maneira mais grandiosa; por outro lado, porque, se bem que inconscientemente, ele nos mostra o caminho [que nos leva] deste labirinto dos sistemas ao conhecimento positivo real do mundo[42].
Basta dizer que, antes de 1600, antes do "nascimento da ciência e da filosofia modernas", a colheita de frutos da árvore da filosofia era bastante escassa.…Por outro lado, os antigos gregos e romanos e os antigos egípcios demonstraram uma arte e uma habilidade maravilhosas na construção e mesmo na engenharia mecânica. As suas abóbadas e arcos, que suportavam cargas tão pesadas, foram construídos com tal precisão e força que indicam um conhecimento altamente sofisticado da mecânica prática. Seja como for, o conhecimento destes antigos construtores e engenheiros não era científico, mas tecnológico. Era puramente empírico, não se baseava em princípios filosóficos[48].
Admiramos a Grécia antiga porque fez nascer a ciência ocidental… Mas para atingir uma ciência que descreva a realidade, ainda faltava uma segunda base fundamental que, até Kepler e Galileu, foi ignorada por todos os filósofos. Porque o pensamento lógico, por si mesmo, não pode oferecer nenhum conhecimento tirado do mundo da experiência. Ora, todo o conhecimento da realidade vem da experiência e a ela se refere. Por este fato, conhecimentos, deduzidos por via puramente lógica, seriam diante da realidade estritamente vazios. Desse modo Galileu, graças ao conhecimento empírico, e sobretudo por ter se bat[39]ido violentamente para impô-lo, tornou-se o pai da física moderna e provavelmente de todas as ciências da natureza em geral. Se, portanto, a experiência inaugura, descreve e propõe uma síntese da realidade...
O grande fosso que existiu durante a Antiguidade e a Idade Média entre "princípios" e "saber-fazer", entre "ciência" e "tecnologia", estava intimamente ligado à estrutura social. O "saber-fazer" do artesão e do engenheiro era adquirido através do trabalho físico e não do puro esforço intelectual. Era o conhecimento empírico do homem de baixo estatuto social, do artesão e até do escravo. O conhecimento filosófico era cultivado e promovido pelos homens de estatuto social elevado, nomeadamente os padres e os estadistas. Os estratos "inferiores" coleccionavam "factos"; os superiores avançavam princípios. O contacto entre os dois tipos de conhecimento era desencorajado pelos costumes sociais. Se um homem de estatuto social elevado tentasse aplicar a sua "filosofia" ou "ciência" ao trabalho do artesão, era condenado ao ostracismo[48].
Kant afirmou sem rodeios que os factos observáveis do mundo físico são completa e satisfatoriamente descritos e sistematizados pela "ciência propriamente dita"; a "filosofia propriamente dita" nunca nos poderá dizer nada sobre eles. A função da filosofia é erigir uma superestrutura sobre a ciência, não para fazer afirmações sobre factos físicos, mas antes para atribuir "valor" a certos tipos de ação humana... A investigação que procura afirmações verdadeiras para além do domínio da "ciência propriamente dita" e tenta obter essas afirmações a partir de uma "interpretação filosófica da ciência" é chamada "investigação metafísica". O resultado deste tipo de investigação é um ramo do pensamento sistemático conhecido como "metafísica", cuja função é fornecer-nos regras para a conduta humana, para nos mostrar "o bem"[48].
Segundo Duhem, em suma, Platão distingue três graus de astronomia: observacional, geométrica e teológica. A conceção platónica da astronomia torna clara a natureza da divisão dentro da "filosofia" ou da "ciência". A astronomia observacional e geométrica constituem, em conjunto, um instrumento que permite prever as posições observáveis dos astros, mas a "astronomia teológica" não é necessária nem sequer útil para esse efeito. O que ela pode fazer é dar-nos uma imagem do universo que será considerada uma réplica da sociedade humana ideal; ela pode ajudar a moldar a conduta humana[48].
Existem três graus de conhecimento. O grau mais baixo é o conhecimento pela observação sensorial. . . . O grau supremo é o conhecimento pelo intelecto puro... Entre o primeiro (mais baixo) e o terceiro (supremo) grau de conhecimento existe um tipo de raciocínio misto e híbrido que ocupa o grau intermediário (segundo). O conhecimento nascido desse raciocínio intermediário é o conhecimento geométrico. A esses três graus de conhecimento correspondem três graus de astronomia.A percepção sensorial é responsável pela astronomia da observação. Esse tipo de astronomia persegue as curvas complicadas descritas pelas estrelas... e não pode fornecer nenhuma relação comensurável ao aritmético, nem nenhuma figura definida ao geômetra... Por meio do raciocínio geométrico, a mente produz uma astronomia capaz de figuras precisas e relações constantes. Essa “verdadeira astronomia” substitui os caminhos erráticos que a astronomia observacional atribuía às estrelas por órbitas simples e constantes; ela produz as aparências complicadas e variáveis que são conhecimento falso. ... É a aproximação do conhecimento pelo intelecto puro, que revela a terceira e suprema astronomia, a astronomia teológica. ... Na constância dos movimentos celestes, ela vê uma prova da existência de espíritos divinos que estão unidos aos corpos celestes[48].
Entre a sociedade capitalista e a sociedade comunista medeia o período da transformação revolucionária da primeira na segunda. A este período corresponde também um período político de transição, cujo Estado não pode ser outro senão a ditadura revolucionária do proletariado.…Do que se trata aqui [- a fase inferior do comunismo -] não é de uma sociedade comunista que se desenvolveu sobre sua própria base, mas de uma que acaba de sair precisamente da sociedade capitalista e que, portanto, apresenta ainda em todos os seus aspectos, no econômico, no moral e no intelectual, o selo da velha sociedade de cujas entranhas procede…Estes defeitos, porém, são inevitáveis na primeira fase da sociedade comunista…Na fase superior da sociedade comunista, quando houver desaparecido a subordinação escravizadora dos indivíduos à divisão do trabalho e, com ela, o contraste entre o trabalho intelectual e o trabalho manual; … só então será possível ultrapassar-se totalmente o estreito horizonte do direito burguês e a sociedade poderá inscrever em suas bandeiras: De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades[73].
Em termos de instituições democráticas e mecanismos de planejamento eficientes, devemos reconhecer que os problemas que emergiram no caso soviético refletem certas fragilidades do marxismo clássico… Marx, Engels e Lenin foram muito mais incisivos em suas críticas ao capitalismo do que em suas teorizações positivas sobre a sociedade socialista … Quanto aos mecanismos de planejamento, Marx e Engels apresentaram algumas sugestões interessantes, mas estas nunca foram desenvolvidas além do nível de generalidades bastante vagas[30].
A primeira coisa a esclarecer sobre a natureza deste projeto é que o planejamento comunista nada mais significa do que a regulação consciente, racional e democrática da economia… Nesse sentido, o cibercomunismo está longe de ser uma “economia algorítmica” ou um “governo por algoritmos”. Pelo contrário, trata-se de um tipo de economia onde … os processos de avaliação e decisão individual, bem como os de deliberação democrática, permeiam toda a operação econômica: desde a escolha pessoal da profissão ou dos meios de consumo até a definição democrática dos objetivos de desenvolvimento econômico e social, passando pelo controle social do investimento, pela promoção de talentos individuais e pela implementação de novos projetos produtivos. Não se trata, portanto, de um “supercomputador” ou de uma “inteligência artificial central” que tente “adivinhar os desejos e preferências dos indivíduos”, “prever o futuro” ou “programar a vida social”. Muito pelo contrário: o que se propõe aqui é justamente ampliar o horizonte da autonomia individual e da participação democrática com o auxílio dos avanços científico-técnicos, dentro de uma estrutura de igualdade social e plenas liberdades individuais.
Modo de produção: O método de produção dos bens e serviços necessários à vida (seja para saúde, alimentação, moradia ou necessidades como educação, ciência, nutrição, etc.). O Modo de Produção é a unidade das forças produtivas e das relações de produção.Forças de produção: As forças produtivas são a unidade de todo o trabalho, os instrumentos de produção (ex.: edifícios e máquinas) e os sujeitos de produção (ex.: matérias-primas).Relações de produção: As relações materiais objetivas que existem em qualquer sociedade, independentemente da consciência humana, formadas entre todas as pessoas no processo de produção social, troca e distribuição de riqueza material[80].
O resultado geral a que cheguei e que, uma vez obtido, serviu-me de guia para meus estudos, pode ser formulado, resumidamente, assim: na produção social da própria existência, os homens entram em relações determinadas, necessárias, independentes de sua vontade; essas relações de produção correspondem a um grau determinado de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais. A totalidade dessas relações de produção constitui a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política e à qual correspondem formas sociais determinadas de consciência. O modo de produção da vida material condiciona o processo de vida social, política e intelectual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; ao contrário, é o seu ser social que determina sua consciência. Em uma certa etapa de seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes, ou, o que não é mais que sua expressão jurídica, com as relações de propriedade no seio das quais elas se haviam desenvolvido até então. De formas evolutivas das forças produtivas que eram, essas relações convertem-se em entraves. Abre-se, então, uma época de revolução social. A transformação que se produziu na base econômica transforma mais ou menos lenta ou rapidamente toda a colossal superestrutura... Do mesmo modo que não se julga o indivíduo pela ideia que de si mesmo faz, tampouco se pode julgar uma tal época de transformações pela consciência que ela tem de si mesma. é preciso, ao contrário, explicar essa consciência pelas contradições da vida material, pelo conflito que existe entre as forças produtivas sociais e as relações de produção.[75]
A ascensão do capitalismo a partir do longo século XVI está associada a uma queda nos salários para níveis abaixo da subsistência, uma deterioração na estatura humana e um aumento na mortalidade prematura. … Onde houve progresso, melhorias significativas no bem-estar humano começaram apenas por volta do século XX. Esses avanços coincidem com a ascensão de movimentos políticos anticoloniais e socialistas[102].
Sob as condições de que a classe dominante em um país capitalista esteja disposta a permitir que o Partido Comunista opere legalmente, o referido partido não rejeita a oportunidade. Afinal, o principal interesse de tal partido é elevar o nível de consciência do proletariado e de outras pessoas e organizá-las. Reformas também podem ser conquistadas de tempos em tempos[99].
Para triunfar, a revolução deve ser dirigida pela classe operária … A moralidade revolucionária consiste em unir-se às massas, em ter confiança nelas, em compreendê-las, em escutar atentamente suas opiniões. Por suas palavras e seus atos, os membros do Partido, da União da Juventude trabalhadora e os quadros ganham a confiança, a admiração e o afeto do povo, realizam a união estreita das massas em torno do Partido, organizam-nas, fazem a propaganda entre elas, mobilizam-nas, para aplicar com entusiasmo a política e as resoluções do Partido [82].
Em vez do lema conservador de: “Um salário justo por uma jornada de trabalho justa!”, deverá inscrever na sua bandeira esta divisa revolucionária: “Abolição do sistema de trabalho assalariado!”[72].
Nós supomos o trabalho numa forma em que ele pertence exclusivamente ao homem. Uma aranha realiza operações que se assemelham às do tecelão e uma abelha, através da construção dos seus alvéolos de cera, envergonha muitos mestres-de-obras humanos. O que, porém, de antemão distingue o pior mestre-de-obras da melhor abelha é que ele construiu o alvéolo na sua cabeça antes de o construir em cera. No fim do processo de trabalho obtém-se um resultado que, no começo do mesmo, já na ideia do operário, portanto, já idealmente, se achava presente[76].
a história faz-se de tal modo que o resultado final provém sempre de conflitos de muitas vontades individuais, em que cada uma delas, por sua vez, é feita aquilo que é por um conjunto de condições de vida particulares; há, portanto, inúmeras forças que se entrecruzam, um número infinito de paralelogramas de forças, de que provém uma resultante — o resultado histórico —, que pode ele próprio, por sua vez, ser encarado como o produto de um poder que, como todo, actua sem consciência e sem vontade. Pois, aquilo que cada indivíduo quer é impedido por aquele outro e aquilo que daí sai é algo que ninguém quis. Assim, a história até aqui decorreu à maneira de um processo natural e está também essencialmente submetida às mesmas leis de movimento. Mas, de que as vontades individuais — em que cada um quer aquilo a que o impele a sua constituição física e circunstâncias exteriores, em última instância económicas (quer as suas próprias pessoais quer as gerais-sociais) — não alcançam aquilo que querem, mas se fundem numa média total, numa resultante comum, daí não deve, contudo, concluir-se que elas são de pôr como igual a zero. Pelo contrário, cada uma contribui para a resultante e está, nessa medida, compreendida nela[43].
Conhecemos uma única ciência, a ciência da história. A história pode ser examinada de dois lados, dividida em história da natureza e história dos homens. Os dois lados não podem, no entanto, ser separados; enquanto existirem homens, história da natureza e história dos homens se condicionarão reciprocamente. A história da natureza, a assim chamada ciência natural, não nos diz respeito aqui; mas, quanto à história dos homens, será preciso examiná-la, pois quase toda a ideologia se reduz ou a uma concepção distorcida dessa história ou a uma abstração total dela[79].
As classes dominantes a utilizaram para erigir a sociedade de acordo com os seus interesses. A arte também foi utilizada como arma na luta pelas classes que foram levadas, por seu desenvolvimento histórico, a se contrapor àquelas classes dominantes. A chamada “arte pela arte” é uma arte que foge da vida, que se mantém extremamente distante dos problemas reais da vida, e até mesmo pronunciadamente os despreza; é uma arte que, ativa ou passivamente, consciente ou inconscientemente, se distancia das forças sociais; mas também é, apesar de tudo, uma força social, que às vezes serve de forma inequívoca e determinada a interesses específicos[68].
Nossa arte não pode ser outra coisa senão uma força que exerce violenta influência no transcorrer geral da luta e da construção… [consideramos] a arte, absoluta e completamente, como uma divisão do nosso exército de luta e de construção do socialismo.A arte é uma grande força em nossas mãos para a realização dessa obra. A arte é capaz não só de orientar, mas também de formar. Para o artista, não se trata apenas de mostrar a toda sua classe como o mundo é hoje, mas de ajudá-la a encontrar o seu caminho na existência, de educar o homem novo. Com isso pode acelerar o ritmo de desenvolvimento da realidade, e ele pode construir, através da criação artística, um centro ideológico que se encontre acima dessa realidade, que a eleve, que permita uma perspectiva do futuro e, com isso, acelerar o ritmo[68].
Todo signo é ideológico; a ideologia é um reflexo das estruturas sociais; assim, toda modificação da ideologia encadeia uma modificação da língua[9].
Para o Círculo de Bakhtin, a palavra ideologia tem significado diferente daquele usado por parte da tradição marxista… a palavra ideologia é usada em geral para designar o universo dos produtos do “espírito humano”, aquilo que algumas vezes é chamado por outros autores de cultura imaterial ou produção espiritual… Assim, ideologia para o Círculo de Bakhtin, abrange um grande universo: a arte, a filosofia, a ciência, religião, ética, política. Todo produto ideológico parte de uma realidade (natural ou social), possui um significado e remete a algo que lhe é exterior, ou seja, é um signo[34].
… a “ideologia do cotidiano”, que se exprime na vida corrente, é o cadinho onde se formam e se renovam as ideologias constituídas… A ideologia do cotidiano constitui o domínio da palavra interior e exterior desordenada e não fixada num sistema, que acompanha cada um dos nossos atos ou gestos e cada um dos nossos estados de consciência. Considerando a natureza sociológica da estrutura da expressão e da atividade mental, podemos dizer que a ideologia do cotidiano corresponde, no essencial, àquilo que se designa, na literatura marxista, sob o nome de “psicologia social”[9].
A única maneira de fazer com que o método sociológico marxista dê conta de todas as profundidades e de todas as sutilezas das estruturas ideológicas “imanentes” consiste em partir da filosofia da linguagem concebida como filosofia do signo ideológico[9].
Concepção de mundo: abrange a totalidade das opiniões e concepções de um indivíduo ou sociedade sobre o mundo, sobre nós mesmos como seres humanos e sobre a vida e a posição dos seres humanos no mundo[84].
No evolver da produção capitalista desenvolve-se uma classe de trabalhadores que, por educação, tradição e hábito, reconhece as exigências desse modo de produção como leis naturais e evidentes por si mesmas … a coerção muda exercida pelas relações econômicas sela o domínio do capitalista sobre o trabalhador. A violência extraeconômica, direta, continua, é claro, a ser empregada, mas apenas excepcionalmente[76].
Basta, aqui, uma simples alusão a formas híbridas, em que o mais-valor não se extrai do produtor por coerção direta e que tampouco apresentam a subordinação formal do produtor ao capital. Nesses casos, o capital ainda não se apoderou diretamente do processo de trabalho[76].
Não basta que as condições de trabalho cristalizem em um dos polos como capital e no outro polo contrário como homens que não têm mais nada que vender a não ser sua força de trabalho. Não basta tampouco obrigar estes a se vender voluntariamente. No transcurso da produção capitalista, vai sendo formada uma classe operária que, por força de educação, de tradição, de costume, se submete às exigências deste regime de produção como às mais lógicas leis naturais. A organização do processo capitalista de produção já desenvolvido vence todas as resistências, a existência constante de uma superpopulação relativa mantém a lei da oferta e da demanda de trabalho em concordância com as necessidades de exploração do capital, e a pressão surda das condições Econômicas sela o poder de mando do capitalista sobre o operário. Ainda é empregada, de vez em quando, a violência direta, extraeconômica; mas só em casos excepcionais. Dentro do transcurso natural das coisas, já pode deixar-se o operário a mercê das ’leis naturais da produção’, isto é, entregue ao predomínio do capital, predomínio que as próprias condições de produção engendram, garantem e perpetuam[76].
Em sua obra o desenvolvimento do capitalismo ganha vida não apenas como um processo de proletarização, particularmente em seu clássico A formação da classe trabalhadora inglesa (1963), mas também como um confronto vivo entre os princípios do mercado, as práticas e valores alternativos[118].
… essa palavra foi adquirindo um significado mais geral, no sentido como a conhecemos hoje (e seria interessante pensar nas implicações de uma cultura em que a palavra correspondente a “tornar melhor” enraíza-se no termo que corresponde a lucro monetário)[118].
Nos últimos vinte anos, para onde quer que essa nova força cultural tenha levado os seus ataques, verificou-se uma grande revolução, tanto no conteúdo ideológico como na forma (por exemplo na linguagem escrita). A sua influência é tão grande e o seu impacto tão poderoso que se afigura invencível onde quer que chega. A mobilização a que se procedeu ultrapassou a de qualquer outro período na China. Lu Sun foi o maior e mais corajoso porta-bandeira dessa nova força cultural. Comandante em chefe da revolução cultural chinesa, ele não foi apenas um grande homem de letras, foi também um grande pensador e um grande revolucionário. Lu Sun foi um homem de coluna vertebral tesa, sem sombra de servilismo nem obsequiosidade — qualidade inestimável dos povos das colónias e semi-colónias. Na frente cultural, Lu Sun foi o representante da grande maioria da nação, o herói nacional mais correto, mais bravo, mais firme, mais fiel e mais ardente, um herói que abriu brecha e arrasou a cidadela do inimigo, um herói sem igual. A via de Lu Sun foi justamente a via da nova cultura nacional da China[107].
Os reacionários – especialmente os fascistas – procuram evitar que essa situação seja devidamente compreendida, procuram escamotear a significação política global da arte e até procuram estetizar a política… Essa estetização da política (com o embelezamento fascista da guerra) exige uma réplica: “A resposta do comunismo é a de politizar a arte[13]”… o problema estético surge quando eles se perguntam como a arte deve se politizar[60].
O que o produtor deu à sociedade constitui sua cota individual de trabalho. Assim, por exemplo, a jornada social de trabalho compõe-se da soma das horas de trabalho Individual; o tempo Individual de trabalho de cada produtor em separado é a parte da jornada social de trabalho com que ele contribui, é sua participação nela. A sociedade entrega-lhe um bônus consignando que prestou tal ou qual quantidade de trabalho … e com este bônus ele retira dos depósitos sociais de meios de consumo a parte equivalente à quantidade de trabalho que prestou. A mesma quantidade de trabalho que deu à sociedade sob uma forma, recebe-a desta sob uma outra forma diferente… Variaram a forma e o conteúdo, porque sob as novas condições ninguém pode dar senão seu trabalho, e porque, de outra parte, agora nada pode passar a ser propriedade do indivíduo, fora dos meios individuais de consumo[73].
Quando Marx afirma que os certificados de trabalho não valem mais do que um ingresso de teatro, podemos inferir certas implicações:(1) Os certificados não circulam; eles só podem ser trocados diretamente por bens de consumo.(2) … Somente a pessoa que realizou o trabalho poderia usá-los.(3) Eles seriam cancelados após um único uso… A loja, como uma organização comunitária, não precisa comprar mercadorias, apenas as recebe, portanto, seu único interesse nos comprovantes de trabalho é para fins de registro.(4) Eles não serviriam como reserva de valor. Eles poderiam ter uma data de validade[30]…
Após uma análise das trocas básicas de mercadorias, passamos a examinar o dinheiro e o que Marx denominou ‘a forma do valor’. A obra de Marx permanece interessante, pois tentou aplicar uma análise formal à troca e ao dinheiro, utilizando as ferramentas então disponíveis: a lógica hegeliana. Tentamos reanalisar o aspecto formal do valor de troca utilizando uma tríade de conceitos extraídos de teorias modernas de sistemas formais:(1) o conceito de espaço métrico,(2) a noção de simetria e(3) a ideia de assinatura[32].
Creio que ninguém, ao analisar a questão do sistema econômico da Rússia, negou seu caráter de transição. Creio também que nenhum comunista negou que o termo “República Socialista Soviética” implica a determinação do poder soviético em realizar a transição para o socialismo, e não que o novo sistema econômico seja reconhecido como uma ordem socialista[47].Esta é uma posição semelhante a adotada pelo partido comunista do Vietnã.A orientação socialista implica avançar em direção ao socialismo, ou, em outras palavras, estar em um período de transição para o socialismo. Quando, em 1921, surgiram dúvidas sobre o nome do país — República Socialista Soviética —, V. I. Lenin explicou que o termo significava que o governo soviético estava determinado a avançar para o socialismo, mas não significava, de forma alguma, que reconhecesse o novo regime econômico como socialismo. Da mesma forma, o termo “República Socialista do Vietnã” expressa apenas a determinação do Partido, do Estado e do povo do Vietnã de avançar para o socialismo, mas não significa que o Vietnã tenha concluído a construção do socialismo. A situação é semelhante na China[108].
Mas, aqui levanta-se uma outra questão: logo que se realize o comunismo num país ou numa região, quando o capitalismo ainda subsiste no mundo, que acontecerá à ditadura do proletariado? Enquanto a revolução mundial ainda não estiver acabada e o capitalismo e o imperialismo subsistirem, mesmo que o comunismo esteja realizado num país ou numa região, esta sociedade não poderá evitar a ameaça do imperialismo, nem a resistência dos inimigos do interior ligados aos inimigos do exterior. Em tais condições, o Estado não poderá extinguir-se e a ditadura do proletariado deverá permanecer sempre, mesmo na fase superior do comunismo. No caso da revolução estalar sucessivamente em todos os países do mundo e no caso do capitalismo se arruinar, triunfando a revolução socialista à escala mundial, o período de transição e a ditadura do proletariado coincidirão e, quando o período de transição chegar ao fim, a ditadura do proletariado já não será necessária e extinguir-se-ão as funções do Estado[104].
Para que os preços a que as mercadorias são trocadas correspondam aproximadamente aos seus valores, nada mais é necessário do que 1) que a troca das várias mercadorias deixe de ser puramente acidental ou apenas ocasional; 2) no que diz respeito à troca direta de mercadorias, que essas mercadorias sejam produzidas em ambos os lados em quantidades aproximadamente suficientes para atender às necessidades mútuas, algo aprendido com a experiência mútua no comércio e, portanto, uma consequência natural do comércio contínuo; e 3) no que diz respeito à venda, que não haja nenhum monopólio natural ou artificial que permita a qualquer uma das partes contratantes vender mercadorias acima de seu valor ou obrigá-las a vender abaixo do valor. Por monopólio acidental entendemos um monopólio que um comprador ou vendedor adquire por meio de uma situação acidental de oferta ou demanda. A suposição de que as mercadorias das várias esferas de produção são vendidas pelo seu valor implica, naturalmente, que o seu valor é o centro de gravidade em torno do qual os seus preços flutuam, e que as suas subidas e descidas contínuas tendem a se equalizar[77].
Uma terceira e última prova da veracidade da teoria do valor-trabalho é a prova por redução ao absurdo. Além disso, é a mais elegante e “moderna” das provas.Imagine por um momento uma sociedade na qual o trabalho humano vivo desapareceu completamente, ou seja, uma sociedade na qual toda a produção foi 100% automatizada... Mas imaginemos que esse desenvolvimento foi levado ao extremo e o trabalho humano foi completamente eliminado de todas as formas de produção e serviços. O valor pode continuar a existir nessas condições? Pode haver uma sociedade em que ninguém tenha renda, mas as mercadorias continuem a ter valor e a ser vendidas? Obviamente, tal situação seria absurda. Uma enorme quantidade de produtos seria produzida sem que essa produção gerasse qualquer renda, uma vez que nenhum ser humano estaria envolvido nessa produção. Mas alguém iria querer “vender” esses produtos para os quais não havia mais compradores!É óbvio que a distribuição de produtos em tal sociedade não seria mais efetuada na forma de venda de mercadorias e, na verdade, a venda se tornaria ainda mais absurda devido à abundância produzida pela automação geral. Em outras palavras, uma sociedade na qual o trabalho humano fosse totalmente eliminado da produção, no sentido mais geral do termo, incluindo os serviços, seria uma sociedade na qual o valor de troca também teria sido eliminado. Isso prova a validade da teoria, pois, no momento em que o trabalho humano desaparece da produção, o valor também desaparece com ele[70].
O valor de uso e o valor não são, como sustenta Bohm-Bawerk, duas diferentes propriedades das coisas. O contraste entre ambos é provocado pelo contraste entre o método das ciências naturais, que trata a mercadoria como uma coisa, e o método sociológico, que trata de relações sociais “fundidas com coisas". "O valor de uso expressa uma relação natural entre uma coisa e um homem, a existência de coisas para o homem. Mas o valor de troca representa a existência social das coisas"[96]...
Esta objetivação, ou "reificação" das relações de produção entre as pessoas sob a forma social de coisas, dá ao sistema econômico maior durabilidade, estabilidade e regularidade. O resultado é a "cristalização" das relações de produção entre as pessoas.Quando o tipo de produção dominante era a produção artesanal, na qual o objetivo era a "manutenção" do artesão, este ainda se considerava um "mestre artesão" e considerava seu rendimento como a fonte de sua "manutenção", mesmo quando expandia sua empresa e já tinha se tornado, em essência, um capitalista que vivia do trabalho assalariado de seus operários. Ele ainda não considerava seu rendimento como o "lucro" do capital, nem seus meios de produção como "capital"[96].
Conhecemos uma única ciência, a ciência da história. A história pode ser examinada de dois lados, dividida em história da natureza e história dos homens. Os dois lados não podem, no entanto, ser separados[79]...
... o curso da história é regido por leis internas universais. Pois, também aqui, apesar dos objectivos conscientemente queridos de todos os indivíduos, domina aparentemente à superfície, grosso modo, o acaso. Só raramente acontece o querido; na maioria dos casos, os múltiplos objectivos queridos entrecruzam-se e contradizem-se, ou esses mesmos objectivos são de antemão irrealizáveis, ou os meios são insuficientes. Assim, os choques das inúmeras vontades individuais e acções individuais conduzem a um estado que é totalmente análogo ao que domina na Natureza desprovida de consciência[42].
Se a base de subsistência fosse capaz de sustentar toda a população, os súditos coloniais não seriam obrigados a oferecer sua força de trabalho para venda. Os governos coloniais, portanto, necessitavam de meios alternativos para obrigar a população a trabalhar por um salário. O registro histórico demonstra claramente que um método muito importante para alcançar esse objetivo era a imposição de um imposto e a exigência de que a obrigação tributária fosse paga em moeda colonial. Esse método tinha a vantagem não só de forçar as pessoas a trabalhar por um salário, mas também de criar valor para a moeda colonial e monetizar a colônia. Além disso, esse método podia ser usado para forçar a população a produzir produtos agrícolas para venda. O que a população tinha que fazer para obter a moeda ficava inteiramente a critério do governo colonial, já que este era a única fonte da moeda colonial.
| Agente | Dinheiro | Obrigações com Imposto |
| Estado | 0 | 0 |
| Ana | 0 | 0 |
| Tiago | 0 | 0 |
| Felipe | 0 | 0 |
| Total | 0 | 0 |
| Agente | Dinheiro | Obrigações com Imposto |
| Estado | 9 | 0 |
| Ana | 0 | 0 |
| Tiago | 0 | 0 |
| Felipe | 0 | 0 |
| Total | 9 | 0 |
| Agente | Dinheiro | Obrigações com Imposto |
| Estado | 2 | 6 |
| Ana | 0 | -2 |
| Tiago | 0 | -2 |
| Felipe | 7 | -2 |
| Total | 9 | 0 |
| Agente | Dinheiro | Obrigações com Imposto |
| Estado | 2 | 6 |
| Ana | 3 | -2 |
| Tiago | 2 | -2 |
| Felipe | 2 | -2 |
| Total | 9 | 0 |
| Agente | Dinheiro | Obrigações com Imposto |
| Estado | 8 | 0 |
| Ana | 1 | 0 |
| Tiago | 0 | 0 |
| Felipe | 7 | 0 |
| Total | 9 | 0 |
…existem poucos agentes ricos com saldos monetários elevados e muitos agentes pobres com saldos baixos, de modo que a distribuição é altamente desigual, embora os agentes sejam estatisticamente idênticos. Esta é uma conclusão chocante para as ciências sociais, onde a desigualdade é geralmente atribuída a diferenças intrínsecas entre os agentes. Há uma crítica de que muitos economistas não estão totalmente familiarizados com o conceito de equilíbrio estatístico, mas apenas com o de equilíbrio mecânico.
A escola econômica do laissez-faire argumenta que, se todas as restrições e regulamentações forem removidas, a economia atingirá um equilíbrio natural e deverá permanecer assim. No entanto, esse argumento é enganoso, uma vez que o equilíbrio não pode ser alcançado sem a imposição de condições de contorno, ou seja, regulamentações.







Para que os preços a que as mercadorias são trocadas correspondam aproximadamente aos seus valores, nada mais é necessário do que 1) que a troca das várias mercadorias deixe de ser puramente acidental ou apenas ocasional; 2) no que diz respeito à troca direta de mercadorias, que essas mercadorias sejam produzidas em ambos os lados em quantidades aproximadamente suficientes para atender às necessidades mútuas, algo aprendido com a experiência mútua no comércio e, portanto, uma consequência natural do comércio contínuo; e 3) no que diz respeito à venda, que não haja nenhum monopólio natural ou artificial que permita a qualquer uma das partes contratantes vender mercadorias acima de seu valor ou obrigá-las a vender abaixo do valor. Por monopólio acidental entendemos um monopólio que um comprador ou vendedor adquire por meio de uma situação acidental de oferta ou demanda. A suposição de que as mercadorias das várias esferas de produção são vendidas pelo seu valor implica, naturalmente, que o seu valor é o centro de gravidade em torno do qual os seus preços flutuam, e que as suas subidas e descidas contínuas tendem a se equalizar[77].
Definição 1: Uma divisão do trabalho é eficiente quando, para cada mercadoria, a quantidade de mercadorias produzidas é igual à demanda. Assim, a quantidade total da mercadoria demandada por etapa é . Se tivermos uma fração de agentes produzindo a mercadoria , então unidades são produzidas por unidade de tempo.
| Produto | Preço | Valor | Trocas | Trabalhadores |
| 0 | 38,33 | 1.0 | 1975 | 20 |
| 1 | 116,84 | 1.5 | 154118 | 30 |
| 2 | 553,42 | 2.0 | 22738 | 40 |
| 3 | 747,60 | 2.5 | 2207 | 50 |
| 4 | 541,66 | 3.0 | 148 | 60 |
[se] a probabilidade de um vendedor de encontrar um comprador no mercado for baixa; portanto, a troca se torna ocasional, não atendendo a um requisito para a lei do valor operar[32].
| Produto | Preço | Valor | Trocas | Trabalhadores |
| 0 | 36,49 | 1.0 | 7151 | 20 |
| 1 | 101,88 | 1.5 | 139728 | 30 |
| 2 | 547,72 | 2.0 | 17750 | 40 |
| 3 | 666,68 | 2.5 | 1226 | 50 |
| 4 | 891,73 | 3.0 | 142 | 60 |



Figura 3: Wealth per capita within each class vs (a)
, for
, and (b)
, for
(b). For each abscissa value, we plot the average (symbols) and standard deviation (bars) computed over 100 realizations of 1000 years. In all cases, the wage range is [10,90]. The missing points for unemployed in (b) is due to the disappearance of this class. The dashed lines are a guide to the eye.
Figura 4: (a) Complementary cumulative wealth distribution of the full population,
, and (b) corresponding Lorenz curves, for different system sizes
indicated in the legend, with
and wage range
. In (a), the line with slope -1 is drawn for comparison. In (b), the inset shows the average annual (over 1000 years) Gini and Kolkata indexes vs
. In the current and subsequent figures, each distribution was built with values recorded at the end of each year, accumulated over the years of a single realization. For the inequality indices, we present the average of the annual values (symbols) and their standard deviation (represented by bars).
Figura 5: (a) Complementary cumulative wealth distribution of the full population,
, and (b) corresponding Lorenz curves, for different levels of the wealth per capita
, indicated in the legend. The population size is
and the wage range
. In (b), the inset shows the average annual Gini and Kolkata indexes vs
.
Figura 8: (a) Annual income complementary cumulative distribution
of the full population and (b) corresponding Lorenz curves, for different system sizes
indicated in the legend, with
and wage range
. In (a), the line with slope -1 is drawn for comparison. In (b), the inset shows the average annual Gini and Kolkata indexes vs
.
Figura 11: Complementary cumulative distributions of (a) wealth and (b) income in the steady state for different preparations of the system: (1)
; (2) starting from
, after reaching the steady state, an amount
is distributed equally among the poorest 20% of the agents; (3) as in (2), but with the amount distributed among the richest 20% of the agents; (4)
from the start. The insets show the Gini index for each scenario. Note that the distributions are not sensitive to initial condition, but depend only on the wealth per capita
.
Figura 12: Effects of expenditure frequency
: Complementary cumulative (a) wealth and (b) income distributions for different values of
. The insets show the average annual Gini vs.
. We note that inequality increases as the expenditure frequency increases. This is reflected in both the increase in the Gini index and the shift toward heavier tails in the distributions. In the current and subsequent figures, each distribution was built with values recorded at the end of each year, accumulated over
years of a single realization. For the inequality indices, we present the average of the annual values (symbols) and their standard deviation (bars).
Figura 14: Effects of expenditure fraction
: Complementary cumulative distributions of (a) wealth and (b) income for different values of
indicated in the legend. The inset shows the average annual Gini coefficient vs.
. The higher the expenditure fraction, the greater the inequality. This is reflected both in the increase of the Gini coefficient and in the shift toward heavier tails in the distributions.
Figura 15: Effects of market revenue frequency
: complementary cumulative (a) wealth and (b) income distributions for different values of
. The inset shows the average annual Gini coefficient as a function of
, indicating that inequality decreases slightly as the frequency of revenue withdrawals increases, with saturation for
.
Figura 16: Effects of market revenue fraction
: complementary cumulative (a) wealth and (b) income distributions for different values of
. The inset shows the average annual Gini coefficient as a function of
, indicating a nearly negligible increase in inequality as the fraction of wealth withdrawn from the market increases.
Figura 17: Complementary cumulative (a) wealth and (b) income distributions for different values of
(wage bargaining intensity parameter). The insets show the average annual Gini coefficient as a function of
. The dependence of inequality on workers’ wage bargaining power is non-monotonic: inequality initially decreases, reaches a minimum, and then increases, eventually returning to values comparable to or exceeding those at
.
Figura 18: Gini coefficient as a function of
(wealth-to-wage ratio). The different points correspond to different values of the average monthly wage, which in turn are obtained by varying the bargaining intensity parameter,
. The color of the point indicates the unemployment rate that emerges from each
. Uncovering the unemployment rate helps clarify the non-monotonic behavior of the Gini coefficient: for unrealistically high unemployment, inequality decreases as
increases; as the unemployment rate approaches more realistic levels, inequality increases with further increases in
.